A segunda onda da pandemia vai chegar no Brasil?

Margareth Dalcolmo, pneumologista, criadora e coordenadora do ambulatório do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz, diz que "provavelmente sim". a segunda onda de infecção já era razoavelmente esperada na Europa depois das grandes reaberturas durante o verão europeu. Ao subestimar o poder da infecção, nós abrimos margem para os casos voltarem a subir. Uma segunda onda nunca está descartada, principalmente no Brasil.


Para Natalia Pasternak, formada pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), PhD, com pós-doutorado em microbiologia, na área de Genética Molecular de Bactérias pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), "possivelmente sim". Essa segunda onda na Europa deve ser olhada como sinal de alerta para o Brasil, para que o país se prepare para uma possível segunda onda por aqui, por mais diferente que sejam as realidades entre os países.

Não podemos assumir uma posição em que se pensa, de maneira mágica, que a segunda onda só acontece em outros países. É mais ou menos o mesmo pensamento mágico que tivemos em janeiro, quando vimos os casos subindo na Europa e achamos que não chegariam aqui. É o momento de olhar para esse sinal de alerta com cautela para nos prepararmos para uma possível segunda onda no Brasil também, em vez de ficar imaginando que isso nunca vai acontecer aqui.


Julio Croda, graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com residência médica em Infectologia e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Yale School of Public Health, é categórico: "sim".

Precisamos ficar atento porque aqui tivemos a liberação do teto de gastos, com o orçamento de guerra e para 2021 não está previsto esse orçamento.

Para o ano que vem, existe uma previsão de queda do orçamento do Ministério da Saúde, então caso a gente tenha uma segunda onda por aqui, talvez estejamos menos preparados do que na primeira onda, já que o financiamento não vai ser o mesmo do que foi na primeira onda, apesar de toda expertise que ganhamos para tratar os pacientes. Isso pode gerar uma escalada importante do vírus nos próximos meses, precisamos ficar atentos.

Uma segunda onda já era esperada, já que ainda há muitas pessoas suscetíveis e não existe uma vacina, que seria solução definitiva. Então, como temos uma sazonalidade dos vírus respiratórios, existe uma tendência de aumento de casos em períodos diferentes.

Temos que ficar muito atentos sobre o que vai acontecer no Norte e no Nordeste em relação a essa segunda onda, e aí podemos entender como será o comportamento dessa segunda onda no restante do Brasil.

Essa segunda onda era, sim, previsível para os cientistas e especialistas. A nossa preocupação é que existe muita dificuldade de se implementar novamente medidas de distanciamento, já que existe uma clara saturação da sociedade, tanto pelo impacto econômico quanto pelo impacto psicológico.

É muito difícil prever com exatidão quando ou como essa segunda onda deve atingir o Brasil, mas precisamos entender que não podemos descartar nada. A situação da Europa mostra isso, é complicado manter o controle.


fonte: InfoMoney